Presente em muitos alimentos processados, tem estado sob fogo cerrado. Mas, afinal, faz mal ou não? 

É a gordura que se obtém do fruto de uma palmeira. Batizada cientificamente Elaeis guineensis, é originária e muito comum em países africanos. Está frequentemente presente em alimentos processados na sua versão refinada. No rótulo, pode estar designado apenas como óleo vegetal ou como gordura de palma. No caso do óleo como ingrediente único, quando a data de validade é extensa, é muito provável que este seja hidrogenado e cancerígeno.

A indústria alimentar utiliza-o porque tem uma textura agradável, mais macia do que a de outros óleos. Tem também uma fragrância inócua e um sabor neutro que outros óleos não possuem. Além disso, favorece a conservação dos alimentos. Veja também a galeria de imagens com os alimentos que contêm maiores quantidades de óleo de palma.

Este óleo é usado como gordura para confeção e como substituto da manteiga. A sua produção tem baixo custo e permite obter um produto final idêntico e crocante. Os alimentos que o contêm, regra geral, são muito processados e de má qualidade nutricional global, devendo ser evitados. Por ser rico em gorduras saturadas (nomeadamente, ácido palmítico), o seu consumo está contraindicado a pessoas com colesterol elevado e doenças cardiovasculares.

A versão mais saudável desta gordura

O óleo extraído através do esmagamento da polpa do fruto é muito mais saudável e natural que o obtido a partir das sementes, que é frequentemente refinado e hidrogenado. Quais as diferenças? A extração a frio permite obter um óleo de boa qualidade e de aparência baça e avermelhada. Quando a indústria ferve e tritura o fruto, de modo a obter maior quantidade de óleo, este perde muitos dos seus componentes bons, como antioxidantes, podendo provocar toxicidade, e ganha uma tonalidade dourada.

              

Os benefícios deste óleo

Na versão não refinada, é uma das maiores fontes de carotenos, é rico em vitamina E e a sua ação antioxidante protege contra doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e cancro. É uma gordura saturada, mas também contém gorduras insaturadas, como o ácido oleico.

Onde comprar

Regra geral, o óleo de palma não refinado, identificado com certificados de agricultura sustentável e de extração lenta, como ingrediente único ou inserido em alimentos, encontra-se à venda apenas em lojas especializadas, como supermercados biológicos.

Por que a controvérsia?

De onde vem o óleo de palma?

O óleo de palma tem estado no centro de debates e discussões acaloradas nos últimos anos, uma vez que está presente em quase tudo o que vemos. É extraído do fruto de uma família de palmeiras nativas de África.

No entanto, e como explica a FAO, as palmeiras prosperam em climas tropicais, pelo que o seu cultivo não se limita apenas ao continente africano. De facto, 85% da produção global de óleo de palma é proveniente de regiões como a Indonésia e a Malásia — e são mais de 40 os países que o produzem.

Óleo de Palma: um óleo acessível e versátil

O óleo de palma é usado numa grande variedade de produtos, desde snacks e doces, a produtos de beleza e cuidado da pele. Gelados, batatas fritas, chocolates, desodorizantes, sabão ou detergentes são apenas alguns dos produtos do dia a dia que contêm óleo de palma. É também usado como biocombustível em muitos países e como um aditivo nas rações para animais.

Não se pode negar a sua versatilidade, no entanto, nos últimos anos, o óleo de palma tem estado nas bocas do mundo (pela negativa) e alguns produtos têm agora o rótulo “Sem Óleo de Palma”.

Porque é que o óleo de palma se tornou um alvo a abater?

O maior problema associado ao óleo de palma é que, historicamente, a sua produção tem sido bastante nociva para o ambiente.

Este óleo é extraído do fruto da palmeira Elaeis guineensis, que pode viver entre 28 a 30 anos. No entanto, e à medida que a palmeira vai crescendo, torna-se difícil colher os frutos. Em tempos em que a preocupação com o ambiente era menos tida em conta, as palmeiras maduras eram repetidamente abatidas para que novas pudessem ser plantadas.

Além disso, considerando que as culturas de óleo de palma são muito mais eficientes do que as de outros óleos vegetais, partes das florestas tropicais foram abatidas para dar lugar a monoculturas de palmeira. A produção de óleo de palma foi responsável, então, por parte da desflorestação de alguns dos ambientes tropicais mais diversos e ricos do planeta.

A desflorestação das florestas tropicais tem um efeito secundário muito grave para o ambiente. Durante a desflorestação são libertadas quantidades enormes de dióxido de carbono na atmosfera — contribuindo para as alterações climáticas. Estima-se que a desflorestação tropical seja responsável por cerca de 10% do total das emissões de gases com efeito de estufa.

Infelizmente, há mais consequências. Com a desflorestação vem a inevitável perda de habitats de muitas espécies, incluindo algumas já criticamente ameaçadas, como o orangotango, o elefante pigmeu de Bornéu, o tigre-de-Sumatra e o rinoceronte-de-Sumatra.